AFIRMAÇÃO DO GEÓGRAFO NO MERCADO DE TRABALHO E O SEU CONTRIBUTO PARA O COMBATE À CRISE SOCIOECONÓMICA

A Geografia, enquanto ciência passou, como todas as demais, por vários estádios de maturação. Em cada circunstância, em cada período histórico, vários foram os factores que influenciaram a sua produção de conhecimento.
Em nenhum momento o saber cientifico está isento de pressões externas sejam assumidas ou dissimuladas em juízos de valor, moralismos, simples crenças ou, em última análise traços culturais. De qualquer das formas não será incorrecto afirmar da validade das suas concepções, mesmo que, algumas delas, contrariadas pelo tempo e por novas produções, tenham deixado de cumprir com a sua função.
O que está em jogo, o que coloco em causa, é precisamente essa função, é o interesse social da produção de conhecimentos, assumidos como verdades e consubstanciados como pilares da estrutura socioeconómica.
Não pretendo abrir um parêntesis para justificar os prejuízos da crença absoluta no conhecimento científico nem tão pouco esgrimir argumentos diferenciadores dentro desse mesmo paradigma, esse é um mal com que temos de viver. O que me importa e pretendo aqui fazer é colocar sob uma enorme interrogação o interesse em classificar um disciplina cientifica por níveis de importância e dar-lhe, por conseguinte, a respectiva utilização, seja no apoio à investigação seja no aproveitamento das mais valias que daí advêm.
O meu propósito, por certo já perceptível, é afirmar a validade da Geografia no computo das demais ciências, sem a colocar acima ou abaixo, esse é um debate que ficará para outra altura, e o seu contributo para o mercado de trabalho.
O manifesto Geográfico, a que tento dar corpo, encerra uma enorme frustração, aliás, é ela que lhe dá corpo. Em plena crise económica e social o país desaproveita conhecimentos, não aproveita as mais valias, os seus recursos endógenos. E mais frustrante ainda é saber que o faz não por excesso de recursos, de oferta de Geógrafos porque, de facto, não existe, como em outras áreas, um excesso de especialistas mas sim o desconhecimento da importância do seu contributo, do contributo das suas competências que vai muito para além da esfera da esfera da administração publica. Essa é, outrossim, uma visão redutora que também não corresponde à verdade. O Geógrafo tem potencial para se integrar e para contribuir para ultrapassar a crise socioeconómica que Portugal atravessa em vários outros domínios do mercado de trabalho.
Sou por certo suspeito nas afirmações que faço mas procurarei demonstrar, sem que restem duvidas, dos pressupostos supra referidos e espero consegui-lo com este manifesto em que desafio outros Geógrafos a comentar as minhas afirmações. Se por um lado procuro a minha própria integração no mercado de trabalho, por outro lado procuro que seja feita num duplo reconhecimento, o das minhas capacidades, incluíndo as de Geógrafo e das capacidades dos Geógrafos, enquanto cultores de saber que pretendo ver reconhecidos como necessários para e pela sociedade.
A seu tempo irei expor, neste espaço, as minhas considerações, enquadrando o Geógrafo nos vários sectores da economia portuguesa, demonstrando de que forma se poderá integrar e que mais valias resultam dessa integração mas, para já deixo apenas o repto a outros geógrafos ou a quem o queira fazer. Afirmem a validade da Geografia para os vários sectores do mercado de trabalho ou provem o contrário, que estou enganado e que o Geógrafo não tem espaço no mercado de trabalho.

4 comentários:

Unknown disse...

Concordo com as tuas afirmações, embora, infelizmente, no país que temos, não é só a ciência Geográfica que é descriminada e posta de parte, mas todas as ciências consideradas ordinárias... Devido a políticas e culturas medíocres que ainda predominam na nossa sociedade, esse tipo de mentalidades retrogadas vão continuar a singrar. Uma mudança das mesmas, só seria alterada com muito tempo e esforço por parte de toda sociedade científica.

Anônimo disse...

O blogue GeoAfirmação é uma ideia magnífica e um lugar privilegiado para a discussão dos temas que interessam a todos os geógrafos. Aproveitando o texto inicial do Jorge Vila Real, gostaria de sublinhar que acredito que a Geografia pode ter um mercado de trabalho activo e multiforme; a história da nossa disciplina (infelizmente tão pouco conhecida) demonstra que foram várias as soclitações que recebeu da sociedade e muitos os desafios que a esta a Geografia lançou; houve histórias de maior ou menor sucesso, mas sempre que se soubre transcender a Geografia cumpriu um papel importante na organização da produção, representação e prática do mundo. Mas existe algo a fazer antes de tudo o mais, uma determinação antes de todas as outras - é absolutamente necessário ter 'orgulho em ser geógrafo' (para usar a feliz expressão do logotipo da Associação de Estudantes de Geografia da Universidade do Minho), varrer o miserabilismo que vemos nas palavras da maior parte dos comentários sobre a nossa ciência, mesmo que para alguns essa não tenha sido a primeira escolha, ainda que por vezes se tenha imensas dúvidas da sua aplicabilidade; se não a tem, criemo-la, porque ninguém o fará por nós; mas depois de a criarmos, que magnífica sensação não nos invadirá, quando dermos conta que cumprimos e transcendemos o papel que nos estava reservado.

Anônimo disse...

Ler as palavras introdutórias deste blogue,representa para mim um momento de grande prazer e satisfação.As razões, ainda que de uma forma muito pessoal, são a constatação do desabrochar dos "frutos de uma sementeira". Árdua na persistência, é certo, mas compensadora e gratificante.
Aquilo que parecia uma derrota na partida, reverteu já em inicio de mudança.
São os pequenos nadas que se consolidam e provocam mudanças.
Claro é para mim que as "sementes" foram importantes, mas a "terra" que as acolheu também.
Assumindo desde sempre a mudança, de uma forma séria e construtiva como até aqui, brevemente voltarei a este forum.
Ao blogger, uma palavra de agradecimento pela iniciativa.
Aos bloggers um apelo de incentivo à participação.
Construam, sem nunca se esquecerem: "Não sejas modesto, sê Geografo".

Anônimo disse...

Na continuação, tal como prometi, apresento hoje algo a que não resisiti partilhar. Um texto publicado hoje no jornal Público, de autoria da jornalista Laurinda Alves.
A razão desta apresentação deve-se ao facto de a temática, sendo abrangente e de alguma forma generalista, demonstrar que as "outras" profissões têm também os seus problemas de afirmação. Mas resolvem-nas.
Serve esta partilha para reforçar, e concordar, com o afirmado num outro comentário colocado neste forum por José Ramiro Pimenta:"...acredito que a Geografia pode ter um mercado de trabalho activo e multiforme;"
Mas passemos à noticia:
"As minorias fazem avançar o mundo!"
Ainda na linha de Pessoa, mas já na lógica da sua escrita e dos seus heterónimos, vale a pena dizer que o espirito Star Tracking é a aposta na complexidade dos telentos de cada um e não apenas nas suas competências. Tiago Forjaz, o homem que concebeu a rede Star Tracking, costuma dizer qualquer coisa como: "Precisamos pouco do Fernando Pessoa contabilista. Precisamos muito mais dos Fernando Pessoa que existiam dentre dele e também existim dentro de nós." O Star Tracking é uma ferramenta preciosa para ter acesso a este motor transformador que são os talentos de cada um.
Fernando Pessoa era muito melhor escritor do que contabilista, assim como um arquitecto discreto que trabalha na Câmara de Lisboa provou ontem no Campo Pequeno que é muito melhor a cantar e atocar do que só a desenhar no papel, e or aí adiante. Muitos atravessam a vida a explorar muito mais as suas competências do que os seus talentos e é pena, porque a realidade prova que,quanto mais alinhados com a nossa verdadeira vocação, mais realizados nos sentiremos. E mais probabilidades de sucesso teremos.
Ora para descobrir e potenciar talentes é preciso cruzar mundos e partilhar experiências. É impossivel descobrirmos completamente sózinhos aquilo em que somos melhores, pois é o olhar dos outros que também nos constrói. sabemos quem somos por aquilo que sentimos, que vivemos e em que acreditamos, mas também pelo que os outros nos dizem de nós.
A partilha a este nivel não é é uma atitude muito portuguesa. A cultura dominante em Portugal sempre foi a de não encorajar demasiado os pares e de guardar para si o conhecimento e tudo aquilo que cada um acha que pertence à sua área de especialização. Muitos ainda acreditam que partilhar conhecimentos é subtrair competências. Partilhar é sempre multiplicar e acrescentar. E esta matemática é rigorosamente infalível.
A este propósito citei a semana passada Charles Leadbeater, prifessor inglês, que diz que "somos o que partilhamos". Não tenho dúvidas de que assimé e insisto no valor da partilha por estarmos no day after yesterday e por ser isso mesmo que se verifica diariamente na rede Star Tracking.
E porque existiu o encontro de ontem, hoje cito Margaret Mead, antropóloga americana, que recomenda "que nunca duvidemos que um pequeno grupo de cidadãos sérios e dedicados podem mudar o mundo, porque, na verdade, são os únicos que o têm conseguido fazer".
Sempre acreditei que são as minorias que fazem avançar o mundo e mais uma vez esta verdade ficou muito transparente. Ficou à vista de todos que o mundo de muitos mudou, porque um pequeno grupo ousou desafiar sistemas e preconceitos.(in Público,P2,Pág.14,1Agosto2008)
Como referi no inicio não escrevi este texto, limitei-me a partilhar. Mesmo fazendo parte de uma minoria, mas que ousa e desafia sistemas e preconceitos.